Entrevistas, Estrada, Internacional

PCM Entrevista: Freddy Cruz, o treinador de Isaac del Toro

PCM Entrevista: Freddy Cruz, o treinador de Isaac del Toro

As origens de Freddy e como conheceu del Toro

Freddy Cruz vence pela equipa de desenvolvimento da Garmin – Cérvelo, 2010
Fonte: Facebook de Freddy Cruz

Como começaste no ciclismo? Tiveste alguma influência (família, amigos, ídolos…)?

Sim, o meu pai iniciou-me a mim e ao meu irmão no ciclismo quando eu tinha cinco anos e ele tinha quatro. Agora tenho 33 anos, já passou algum tempo. Basicamente, ele foi a nossa influência para entrar no ciclismo.

Em 2011, entraste na Chipotle – First Solar (equipa de desenvolvimento da Garmin – Cérvelo). Como foi essa experiência e o que ela te ensinou?

Foi um ano fantástico. Sinceramente, foi uma das minhas melhores experiências. A equipa era bastante grande; na altura, era Chipotle contra Trek-Livestrong pela equipa de desenvolvimento mais forte e obtivemos excelentes resultados. A minha carreira terminou prematuramente, porque fui (erroneamente) diagnosticado com uma doença cardíaca. Isto aconteceu em junho/julho, um dia antes da Philadelphia Classic. No entanto, os meses anteriores foram realmente bons. Fizemos alguns estágios em equipa e tínhamos uma staff extensa nas corridas. Além disso, o ambiente era muito divertido e descontraído: os nossos diretores, mecânicos, fisioterapeutas, nós como colegas de equipa, todos trabalhávamos muito bem juntos. Assim, gostei bastante de trabalhar com a Chipotle.

Depois de teres deixado o ciclismo profissional, como te tornaste treinador?

Quando me diagnosticaram, tive de me retirar claro. Nos primeiros meses, quis afastar-me do desporto. Estava numa depressão: a minha vida inteira era o ciclismo e eu queria ter ido até ao fim. Tinha um plano B, comecei a estudar e nos primeiros meses não quis saber de ciclismo. Depois, algumas pessoas começaram a pedir-me para as treinar, devido à minha ‘experiência e conhecimento’. Sempre fui o ciclista que questionava tudo sobre nutrição, fisiologia e tudo mais, sempre quis saber por que estava a treinar desta ou daquela forma, mas naquele momento não queria treinar pessoas, queria ser ciclista. O tempo passou até que dois miúdos com a sua mãe se aproximaram de mim e pediram-me para os preparar para os campeonatos nacionais daquele ano. Vendo-os tão entusiasmados, não podia dizer que não. Estes dois miúdos eram o Isaac del Toro e o seu irmão.

Depois de um período difícil na vida de Freddy Cruz, no rescaldo do abandono forçado do ciclismo profissional, calhou que fosse Isaac del Toro o seu primeiro aluno enquanto treinador! O acaso revelou-se tão espantoso quanto o sucesso se mostrou imediato.

Preparei-os durante alguns meses e, nesse ano, ganhámos os campeonatos nacionais de estrada, de mountain bike, tudo. Nunca tinha sentido nada assim, pois nunca tinha estado na posição do treinador, mas quando fui aos nacionais – os pais deles pediram-me para viajar com eles – imaginem as minhas emoções quando eles ganharam tudo! Foi incrível, por isso comecei a treinar ciclistas e pessoas de todas as idades começaram a abordar-me. Também comecei a tirar cursos em fisiologia e biomecânica; sou treinador desde então.

Freddy Cruz com Isaac del Toro, 2020
Fonte: Facebook de Freddy Cruz

Ao longo destes anos todos a treinar o Isaac del Toro, houve algum momento em que soubeste que ele era especial?

Onde vivemos, em Ensenada, existem várias subidas com 3 /4 quilómetros e [inclinação] entre 4% e 7%. Eu tinha-me reformado do ciclismo aos 22 anos e quando comecei a treinar, queria ficar todo musculado por causa das raparigas (risos). Estava a fazer ginásio e ganhei muito peso – agora peso 64 kilos, mas naquela altura pesava 74 kilos. Por isso, sempre que treinava com eles [Isaac e o irmão] nas subidas, fazíamos 18/19 quilómetros por hora e eu ficava chocado! Sabia que estava fora de forma, mas eles punham-me mesmo em dificuldades. Ele era um miúdo mesmo pequeno, com 8/9 anos [o Angel del Toro também tinha muito talento, mas não queria ser profissional]. E pensei ‘este miúdo é especial, está destinado a alguma coisa grande no futuro’.

O talento sobressai facilmente num ciclista, mas nem todos têm a mentalidade necessária para dele retirar proveito. Neste aspeto, destaca-se a importância do papel de Freddy Cruz em moldar Isaac del Toro no ciclista e sobretudo na pessoa que é hoje.

Eu estava consciente [do talento deles], mas, nos primeiros anos, o que fiz com o Isaac e o Angel foi ensinar-lhes as táticas (o que fazer caso alguém ataque, como não ficar fechado no sprint…), mas também a divertirem-se e a perceberem que não importa se perdem. Porque eu sabia que ele [Isaac] estava destinado a algo especial e não queria que se aborrecesse ou sentisse pressão quando era apenas um miúdo. Isso funcionou muito bem e ele conseguiu manter-se no ciclismo de uma forma divertida.

Written by - - 1199 Views

Páginas: 1 2 3 4 5

No Comment

Please Post Your Comments & Reviews

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *