Está mais para 2014 ou para 2018?

Paralelo no Tour de France é sempre um dos dias mais emocionantes para os adeptos de ciclismo. Juntar o melhor dos sectores do Paris-Roubaix com a maior corrida por etapas do mundo traz sempre uma etapa no mínimo alternativa, com os melhores trepadores a percorrerem os paralelos mais duros do mundo num momento antagónico. Não é por acaso que vimos este ano Tadej Pogacar disputar e lutar até ao final pelo Tour de Flandres, ou Roglic, Vingegaard e Daniel Martinez no Grand Prix de Denain – Porte du Hainaut.
A questão climatérica é sempre importante, e as previsões não apontam para chuva durante este dia. Por isso, é um ingrediente que podemos descartar para ter uma etapa ao estilo do que tivemos em 2014, quando Lars Boom venceu e Vincenzo Nibali deu um baile aos adversários no paralelo. O fator essencial será sempre o posicionamento e a entrada nos setores junto do grupo da frente, aliado ao apoio de uma forte equipa. Nesse quesito a Jumbo-Visma é a favorita, não estivéssemos a falar de uma das melhores equipas da primavera neste ano, mas também não podem ser descartadas a Trek, a Alpecin ou a Ineos. A incógnita parece mesmo ser o que é capaz a UAE – Emirates, principalmente depois de Matteo Trentin ter ficado de fora do Tour por Covid. Se Pogacar já mostrou que é muito hábil nos paralelos, e um corredor que nos dias decisivos raramente perde tempo para os adversários, a falta de nomes fortes nas clássicas ao seu lado é preocupante. Mikkel Bjerg e Vegard Stake Laengen fazem parte da equipa que normalmente corre a temporada de pavé e, se quisermos ser otimistas, também Marc Hirschi chegou a correr algumas dessas clássicas nos seus tempos de Team Sunweb (e também de sub-23).
| Kms para o fim | Nº do Sector | Nome do Sector | Extensão |
| 77,3 | 11 | FRESSAIN À VILLERS-AU-TERTR | 1379 m |
| 56,4 | 10 | D’ESWARS À PAILLENCOURT | 1600 m |
| 50,5 | 9 | WASNES-AU-BAC À MARCQ-EN-OSTREVENT | 1400 m |
| 46,1 | 8 | D’ÉMERCHICOURT À MONCHECOURT | 1600 m |
| 42,9 | 7 | D’AUBERCHICOURT À ÉMERCHICOUR | 1300 m |
| 37,4 | 6 | PAVÉ ABSCON | 1500 m |
| 30,3 | 5 | ERRE À WANDIGNIES-HAMAGE | 2800 m |
| 23,6 | 4 | WARLAING À BRILLON | 2400 m |
| 20,1 | 3 | TILLOY-LEZ-MARCHIENNES À SARS-ET-ROSIÈRES | 2400 m |
| 13,6 | 2 | BOUSIGNIES À MILLONFOSSE | 1400 m |
| 6,7 | 1 | D’HASNON À WALLERS | 1600 m |
Olhando um pouco para a etapa, a reta final será muito semelhante à de 2014, com os últimos sectores de pavé a coincidirem. Após o décimo sector as dificuldades de empedrado vão surgir sensivelmente a cada cinco quilômetros, com o último a terminar já muito perto da meta.
Os sectores decisivos serão preferencialmente os mais longos (5, 4 e 3) que, com mais de dois quilômetros de extensão, potenciam a existência de movimentações, e à distância que estão da meta já será difícil permitir recuperações para os corredores que perderem o rumo da frente da corrida.
Pensando em favoritos, os corredores livres das amarras de terem de proteger os seus líderes, como Mathieu van der Poel, Kasper Asgreen, Peter Sagan ou Mads Pedersen, parecem partir em vantagem. Se a etapa não produzir grandes frutos na batalha para a geral, certamente Wout Van Aert, Thomas Pidcock e Dylan van Baarle não vão virar a cara à possibilidade de conquistar a etapa.
Os favoritos nas casas de apostas:
*** Mathieu Van der Poel, Wout Van Aert
** Mads Pedersen, Matej Mohoric, Florian Senechal
* Peter Sagan, Yves Lampaert, Jasper Philipsen


