O sprinter francês da Soudal Quick-Step foi o mais veloz na chegada a Burgas, derrotando Tobias Lund Andresen sobre o risco de meta. Contudo, os últimos metros da jornada, foram marcados por muita tensão e, inevitavelmente, por uma queda que bloqueou a passagem do pelotão e hipotecou as expectativas de alguns velocistas…
A 109.ª edição do Giro d’Italia arrancou com um momento histórico: pela primeira vez, a corsa rosa teve início na Bulgária. À semelhança de 2025, a organização voltou a apostar numa Grande Partenza além-fronteiras, desta vez nas margens do Mar Negro.
A etapa inaugural da Giro d’Italia apresentou ao pelotão uma jornada de 147 quilómetros entre Nessebar e Burgas. Pelo caminho, os ciclistas enfrentaram uma dupla passagem pelo Cape Agalina, além de um sprint intermédio em Sozopol e de um Red Bull Kilometer. Ainda assim, o perfil maioritariamente plano da tirada deixava antever uma chegada ao sprint, prometendo um duelo entre os principais velocistas presentes na grande volta italiana.

Logo após o “tiro de partida”, dois corredores lançaram-se ao ataque e conseguiram ganhar vantagem sobre o pelotão, protagonizando a primeira fuga da Volta à Itália. Manuele Tarozzi (Bardiani CSF 7 Saber) e Diego Pablo Sevilla (Team Polti VisitMalta) foram os atletas em evidência, discutindo entre si os pontos da classificação da montanha e os sprints intermédios.
Entre os dois fugitivos houve um verdadeiro acordo de cavalheiros: Diego Pablo Sevilla ficou com os pontos da classificação da montanha, enquanto Manuele Tarozzi arrecadou os dois sprints intermédios. Graças a estes resultados, o corredor da Team Polti VisitMalta irá envergar, na etapa de amanhã, a maglia azzurra.
No entanto, após os dois primeiros lugares no ‘quilómetro Red Bull’ terem sido entregues aos escapados, no pelotão foi António Morgado (UAE Team Emirates – XRG) quem passou na frente, arrecadando dois segundos de bonificação. Um sinal claro das ambições do ‘bigode voador’, que poderá estar amanhã na discussão pela vitória na etapa e pela maglia rosa.
Depois de a fuga ter sido anulada a 23 quilómetros da meta, as equipas dos sprinters assumiram o controlo das posições dianteiras do pelotão, procurando colocar os seus homens rápidos nas melhores condições para a chegada rápida a Burgas.
Os quilómetros finais da etapa foram marcados por uma enorme tensão no seio do pelotão, com sucessivos encostos e vários momentos de quase queda, à medida que as equipas lutavam pelo melhor posicionamento. Contudo, já dentro dos mil metros finais, o inevitável aconteceu: uma queda nas primeiras posições acabou por condicionar o sprint, comprometendo a disputa de uma chegada justa e limpa.
Ainda assim, na frente da corrida permaneceram onze ciclistas e, no duelo de pura velocidade, Paul Magnier (Soudal Quick-Step) foi mais forte do que Tobias Lund Andresen (Decathlon CGM CMA Team) nos derradeiros metros, conquistando assim a sua primeira vitória numa grande volta. O pódio da etapa foi completo por Ethan Vernon (NSN Cycling Team), enquanto Jonathan Milan (Lidl-Trek), o principal candidato à vitória, terminou apenas no 4.º lugar.
Com este triunfo, o atleta da Soudal Quick-Step é o primeiro maglia rosa da 109.ª Volta à Itália, com António Morgado a ocupar a 6.ª posição, a oito segundos do francês.
Amanhã, o pelotão do Giro fará um total de 221 quilómetros, com partida de Burgas e chegada a Veliko Tarnovo. Com uma subida de 4 km’s a 6,6% de inclinação média, já nos últimos 20 quilómetros de etapa, António Morgado terá oportunidade de lutar pela vitória e, eventualmente, de assumir a camisola rosa!

Foto de capa: LaPresse


