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Wout van Aert vence Paris-Roubaix de 2026 com sprint imparável

O belga Wout van Aert venceu a edição de 2026 da Paris – Roubaix, batendo ao sprint Tadej Pogačar no Velódromo de Roubaix. Mais atrás, Jasper Stuyven, fechou o pódio.

Num dia que até começou com uma partida atrasada por alguns minutos, a Paris – Roubaix de 2026 arrancou logo com muitos ataques das equipas sem favoritos à prova, mas foi preciso esperar para além da rapidíssima primeira hora de corrida para que os primeiros momentos de maior emoção chegassem, quando as bordures causaram o pânico no pelotão criando uma separação em que os favoritos Tadej Pogačar (UAE Team Emirates | XRG), Mathieu van der Poel (Alpecin – Premier Tech), Wout van Aert (Team Visma | Lease a Bike) e Filippo Ganna (INEOS Grenadiers) ficaram apanhados no segundo pelotão que se formou, apesar de rapidamente voltar a haver junção.

Problemas mecânicos e falta de fuga define parte inicial da corrida

Até ao primeiro setor, Troisvilles à Inchy, o pelotão não permitiu que a fuga se formasse, e foi a equipa de Ganna a entrar na frente com a equipa da LIDL – Trek de Mads Pedersen, com todos os favoritos na frente do pelotão, e foi à saída deste setor que Mike Teunissen (XDS Astana Team) tentou se isolar, enquanto Mads Pedersen furava entre o primeiro e o segundo setor de prova e a equipa de Pogačar controlava o pelotão. À entrada do setor de Quiévy à Fontaine au Tertre van Aert furou e teve que recuperar, enquanto António Morgado (UAE Team Emirates | XRG) impunha um ritmo infernal e até Arnaud de Lie (Lotto Intemarché) sentia dificuldade com o ritmo do português, ainda a 145 quilómetros do fim, e que causou uma grande divisão no plantel, dividindo o pelotão em dois grandes grupos de 40 elementos, com todos os favoritos na parte da frente, com Rui Oliveira, da equipa de Pogačar, a sofrer de problemas mecânicos e a acabar no segundo pelotão, despedindo-se das decisões da corrida.

A corrida tomou uma toada de eliminação, com quedas e problemas mecânicos, e foi no setor de Quérénaing à Maing, o setor número 22, que o Campeão do Mundo furou e a equipa da Alpecin de Van der Poel assumiu a dianteira da corrida. Também o vencedor da edição de 2022, Dylan van Baarle (Soudal Quick-Step), sofria de azares e acabaria por ficar para trás. Estes problemas acabaram por deixar o Campeão do Mundo com a companha de Morgado, e com Mikkel Bjerg e Nils Politt a descair da frente para “rebocar” o esloveno de volta para a frente da corrida antes do primeiro setor de 5 estrelas, o icónico Trouée d’Arenberg, reservando o belga Florian Vermeersch como plano B na frente da corrida.

No setor de 4 estrelas de Haveluy à Wallers, a pouco mais de 100 quilómetros do fim, foi Van der Poel, que procurava história ao ganhar o seu quarto paralelo em Roubaix seguido, que atacou, enquanto Pogačar ficava sem colegas de equipa no seu grupo e saía em perseguição solitária do grupo da frente, a cerca de 20 segundos, onde chegou mesmo a tempo do setor de Arenberg.

Segunda parte da corrida aquece em Arenberg

Definido como um local em que a corrida não se ganha, mas onde se pode perder e historicamente um ponto de viragem na corrida, foi Wout van Aert a entrar na frente no dificílimo setor do Trouée d’Arenberg, local onde Van der Poel furou, e nem com trocas de bicicletas conseguiu recuperar a tempo furando novamente, perdendo mais de 2 minutos para a frente de corrida, começando a perseguir de imediato. Na frente, desenhava-se um grupo de luxo com Pogačar, van Aert, Christophe Laporte (da equipa de van Aert), Mads Pedersen, Stefan Bissegger (Decathlon CMA CGM Team), Jasper Stuyven (Soudal Quick-Step) e o jovem Laurence Pithie (Red Bull – BORA – hansgrohe), seguidos por um grupo liderado por Ganna, que eventualmente recolou mas problemas mecânicos insistiram em perseguir o italiano da equipa da INEOS, voltando a furar e perder contacto com a frente da corrida.

A passagem dos setores continuou a colher vítimas, e em Tilloy à Sars-et-Rosières, o setor 15, tanto Pogacar como van Aert furaram e trocaram as bicicletas, sendo que o belga acabou por perder muito tempo, juntando-se a um grupo com Pithie e o seu colega de equipa Jordi Meeus, que também tinham sofrido azares e formaram o grupo perseguidor à frente da corrida, eventualmente recolando na frente, enquanto o grupo Van der Poel e Ganna ia também recuperando o tempo de atraso para a frente. Tal como em Arenberg, foi van Aert a assumir a frente da corrida em Auchy-lez-Orchies à Bersée e a tornar a corrida entre ele, Pedersen e Pogačar, que ao contra atacar o belga, tornou a corrida entre o Campeão do Mundo e o belga da equipa da Visma, num momento em que Van der Poel chegava ao grupo perseguidor e Ganna voltava a ter azar ao furar e cair, tendo que trocar de bicicleta.

Mons-en-Pévèle a ajudar à definição da corrida, Carrefour de l’Arbre a preparar o final

O segundo dos 3 setores 5 estrelas trouxe mais definição à corrida. Pogačar e van Aert ficaram definitivamente na frente de corrida, gerindo uma vantagem sempre por volta de 40 segundos ao grupo encabeçado por Van der Poel e Pedersen. Ficando a restar o último setor de 5 estrelas do Carrefour de l’Arbre, esperava-se ação nesse setor e no anterior de 4 estrelas de Camphin-en-Pévèle, enquanto atrás, cada vez mais se lutava pelo lugar mais baixo do pódio. No Carrefour de l’Arbre, foi o Campeão do Mundo a assumir a dianteira, e quase caía numa das várias curvas do setor, enquanto o grupo van der Poel conseguia reduzir distâncias e aproximar-se gradualmente da frente de corrida, aumentando a dúvida sobre o resultado final.

Final no Velódromo é quem dá vencedor

Apesar das tentativas de aproximação à frente de corrida, Pogačar e van Aert chegaram mesmo juntos ao Velódromo de Roubaix, e foi ao sprint que finalmente temos diferenças entre o esloveno e o belga. Depois de vários azares ao longo dos últimos anos, a recompensa finalmente veio, e Wout van Aert lançou um sprint poderosíssimo e impôs-se como um grande vencedor de Roubaix, enquanto atrás Jasper Stuyven isolou-se já na aproximação ao Velódromo e fechou em 3º lugar a 13 segundos do duo da frente.

Foto de capa: Getty Images

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