Março acabou por ser agridoce para os ciclistas nacionais. Se, por um lado, alguns atletas exibiram a sua melhor forma, por outro, houve quem não conseguisse traduzir todo o seu potencial, encerrando o mês com um sentimento de alguma apreensão.
Dando continuidade à boa temporada que tem vindo a realizar, António Morgado manteve um elevado nível de regularidade, tendo o 7.º lugar no Trofeo Laigueglia sido o seu melhor resultado do mês. Ainda assim, foi nas clássicas do empedrado que o ‘bigode voador’ revelou maior consistência, terminando sempre dentro do Top-15, aliando a esses resultados uma postura ofensiva que não passou despercebida nessas provas.


Em linha com António Morgado, Rui Oliveira marcou presença em praticamente todas as clássicas de preparação para o Tour de Flandres e para a Paris-Roubaix. O ciclista de Vila Nova de Gaia teve como principal missão o apoio aos seus líderes, destacando-se no posicionamento nos momentos decisivos e no lançamento de Juan Sebastián Molano nas chegadas ao sprint.


Já o seu irmão gémeo, Ivo Oliveira, marcou presença em duas provas por etapas: o Paris-Nice e a Volta à Catalunha. Na corrida espanhola, o campeão nacional viveu momentos de contraste: se na 2.ª etapa esteve na luta pela vitória, no dia seguinte viu a sua prestação comprometida após uma queda que acabaria por o forçar a abandonar ao fim de três dias de competição.


Contudo, o infortúnio dos portugueses na Catalunha continuou. João Almeida, um dos principais candidatos à vitória na classificação geral, sofreu uma queda durante a 5.ª etapa que o afastou da luta pelo triunfo. Além disso, o corredor da UAE Team Emirates enfrentou grandes dificuldades nas duas últimas jornadas, admitindo que essas limitações não se deveram apenas à queda sofrida.

No entanto, houve quem demonstrasse um elevado nível competitivo na Volta à Catalunha. Afonso Eulálio, atuando como gregário ao serviço de Lenny Martinez, destacou-se particularmente nas etapas de montanha, chegando mesmo a terminar a etapa com chegada no Santuário de Queralt entre os dez primeiros. Graças a esta prestação de grande qualidade, o seu líder conseguiu concluir a prova na 2.ª posição, apenas atrás de Jonas Vingegaard.

Ainda no cenário internacional, a Caja Rural – Seguros RGA obteve a primeira vitória na temporada através de Iuri Leitão. O vianense de 27 anos conquistou a Classic Loire Atlantique, adicionando mais um êxito ao seu palmarés no ciclismo de estrada. Para além do sucesso do campeão olímpico em França, Gabriel Baptista, corredor da Technosylva Rower Bembibre, esteve em grande plano na Gran Premio Primavera Ontur, tendo sido apenas superado pela dupla da Euskatel – Euskadi.

No calendário português, a época entrou em “modo cruzeiro” já com alguns ciclistas nacionais em grande evidência. Afonso Silva brilhou ao conquistar a Clássica de Santo Thyrso, primeira prova pontuável para a Taça de Portugal. Já no final do mês, Tiago Antunes confirmou o seu excelente momento de forma ao sagrar-se vencedor da classificação geral da Volta ao Alentejo, numa corrida em que a equipa da Anicolor / Campicarn dominou, garantindo três vitórias de etapa.


Coletivamente, a Aviludo – Louletano – Loulé fez a dobradinha na Clássica da Primavera com Nicolás Tivani e Tomas Contte, a Anicolor / Campicarn conquistou a Prova de Abertura com Santiago Mesa e, no Troféu Internacional da Arrábida, Tiago Antunes deu à Efapel o 3.º lugar, antes de protagonizar a enorme exibição que viria a fazer na “Alentejana”.
Por último, no setor feminino, Daniela Campos impôs-se de forma categórica nas duas primeiras rondas da Taça de Portugal, assumindo a liderança da competição à frente de Ana Caramelo e Celina Carpinteiro. Já na categoria de sub-23, Marta Carvalho segue no comando da classificação.


Em abril, a temporada velocipédica ganha especial destaque com a realização de três dos cinco Monumentos do ciclismo: o Tour de Flandres, a Paris-Roubaix e a Liège-Bastogne-Liège. Para além das grandes clássicas de um dia, o calendário WorldTour inclui ainda duas importantes provas por etapas: a Itzulia Basque Country e a Volta à Romandia.


No plano nacional, o foco recai sobre a Clássica de Viana do Castelo e o Grande Prémio O Jogo, que se assumem como as próximas competições de referência, após o cancelamento do Troféu Região de Coimbra – Aldeias de Xisto.


