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Afinal, como andou João Almeida na Volta ao Algarve?

João Almeida terminou a Volta ao Algarve no 3.º lugar. Ainda assim, perante a conquista do antigo colega de equipa Juan Ayuso e a afirmação do jovem Paul Seixas, o ciclismo português não recebeu este resultado com grande entusiasmo.

Entre os adeptos, não há consenso: foi uma prestação sólida para a fase inicial da temporada ou um resultado aquém do estatuto que o Bota Lume conquistou nos últimos anos? A Portuguese Cycling Magazine analisa o desempenho.

Como foi a Volta ao Algarve de João Almeida?

Após uma temporada de afirmação e uma pré-época sem contratempos, Almeida era apontado por muitos como o principal favorito à vitória. A ausência de nomes como Jonas Vingegaard ou Remco Evenepoel reforçava essa perceção. Contudo, a estrada revelou uma hierarquia diferente.

No Alto da Foia, o português tentou repetir o cenário do ano anterior, mas Ayuso e Seixas resistiram aos seus ataques e superaram-no no final. O contrarrelógio praticamente afastou-o da vitória, ao perder segundos importantes para os principais rivais.

Sem hipóteses reais de triunfar na geral, Almeida procurou sobretudo animar a etapa do Alto do Malhão, oferecendo espetáculo aos milhares de adeptos que o apoiaram ao longo da subida.

No final, a diferença para Ayuso foi de 59 segundos, um número que diz pouco sobre o valor relativo entre ambos, e mais sobre o estado de preparação e a adequação da corrida às características de cada ciclista.

O que explica a Volta ao Algarve de João Almeida?

Uma das principais explicações está na fase de preparação. Ao contrário de Ayuso e Seixas, Almeida ainda não realizou estágios em altitude, fundamentais para otimizar a forma nas provas por etapas. A ausência desses ganhos fisiológicos afeta todo o rendimento de um ciclista, não apenas nas subidas.

Além disso, o nível dos adversários revelou-se superior ao que a lista de partida poderia sugerir. Ayuso já demonstrou repetidamente capacidade para vencer chegadas explosivas e manter elevada regularidade em corridas de uma semana. Quanto a Seixas, é a grande esperança francesa para voltar a conquistar o Tour de France e, aos 19 anos, já apresenta nível para lutar por pódios ao lado de corredores como Tadej Pogačar ou Evenepoel.

O próprio desenho da prova também jogou contra Almeida. A 52.ª edição teve menos quilometragem total (674 km, face aos 748 km do ano anterior), sobretudo nas etapas de montanha. Para ciclistas de grande fundo, como o português, o desgaste acumulado ao longo da corrida é frequentemente o fator que permite fazer diferenças significativas nas subidas finais. Com menos dureza acumulada, tornou-se mais difícil isolar os adversários, favorecendo corredores mais explosivos como Seixas e Ayuso.

A Volta ao Algarve influencia o Giro d’Italia?

Provavelmente, não. Por muito prestígio que a corrida tenha para os adeptos portugueses e para o próprio Almeida, dificilmente constitui o principal objetivo de uma época. O foco estará no Giro d’Italia.

A temporada de 2026 é vista por muitos como um momento decisivo na carreira do português, uma espécie de ‘Ano A’. Seja pela crescente concorrência interna numa equipa recheada de talento, seja pela emergência de uma nova geração de ciclistas, o contexto torna cada oportunidade de ganhar uma grande volta particularmente valiosa.

Ainda assim, Almeida sabe melhor do que ninguém que o ciclismo é um desporto de ciclos. Quem domina num determinado momento pode não o fazer no seguinte. As grandes voltas recompensam consistência, preparação e resiliência ao longo de três semanas, qualidades que continuam a ser a sua marca distintiva.

Em suma, o 3.º lugar no Algarve está longe de definir a época. Se a história recente serve de guia, a ‘Almeidada’ ainda está para vir.

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