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Wout Poels, a glória do eterno gregário

Wout Poels, a glória do eterno gregário

O fecho da segunda semana do Tour trouxe a glória para um dos mais influentes gregários na história do Tour na década passada. No caminho entre Les Gets e Saint Gervais Mont Blanc Wout Poels, braço direito de Chris Froome nos seus anos de glória na Team Sky e vencedor da Liége-Bastogne-Liege de 2016, obteve a sua primeira vitória da carreira em etapas de grandes voltas.

Na luta pela amarela nem um centímetro separou Vingegaard e Pogacar, com os dois a chegarem lado a lado à meta, mantendo-se os dez segundos de diferença na geral a favor do dinamarquês. 

Queda dá oxigénio à fuga e muda o rumo da etapa

A fase inicial da etapa estava a revelar-se um clássico deste Tour, uma grande dificuldade para se formar a fuga com imensas tentativas e pouca vantagem para aquelas que tentavam formar a fuga do dia. Mas uma grande queda a 128km da meta provocou a mudança do rumo da etapa. Vários homens beijaram o asfalto, felizmente sem abandonos como no dia anterior, consequência de um toque entre Nathan Van Hooydonck da Jumbo-Visma e um adepto que não respeitou os limites da estrada para a passagem dos ciclistas, formando-se um efeito dominó.

Nesse momento, depois de um natural abrandamento para que os caídos retomassem o ritmo, foi a janela de oportunidade para os interessados consolidarem o grupo da frente. O grupo principal chegou a ter mais de quarenta unidades, com destaque para Neilson Powless e Giulio Ciccione na luta pela camisola da montanha, Landa, Pinot ou Guillaume Martin entre os que procuravam recuperar lugares na classificação geral e ainda Wout Van Aert e Marc Soler, colegas dos dois envolvidos na luta pela amarela.

Lutsenko e Alaphilippe foram nesta fase os dois maiores protagonistas, rodando durante vários quilómetros na frente da corrida, apesar de nunca terem uma vantagem que os permitisse sonhar em levar a iniciativa até ao fim.

Rui Costa volta ao local do crime, mas os trepadores impuseram a sua lei

Um dos nomes nesta fuga era o campeão mundial de 2013, o português Rui Costa. Num dia em que se celebram exatamente dez anos da sua vitória em Gap, no Tour desse ano, o poveiro atacou na subida do Col de la Croix Fry, a mais de 60km da meta. Foi precisamente nesta subida que Rui Costa teve outro dos momentos altos desse Tour de 2013, quando se isolou para vencer na chegada a La Grand Bornard, naquela que foi a segunda vitória do corredor no Tour daquele ano.

No entanto, a iniciativa do português durou pouco, com os interessados pelos pontos da montanha a anularem o homem da Intermarché. Giulio Ciccione venceria essa contagem de primeira categoria, continuando a alimentar a sua luta ponto a ponto com Neilson Powless pela camisola das bolinhas desse Tour.

O grupo numeroso, naturalmente, foi-se fragmentando e foi na subida seguinte, Col de Aravis que se produziu o movimento decisivo para o desfecho da etapa com a formação do trio Wout Van Aert, Marc Soler e Wout Poels. Os três conseguiram somar uma vantagem de um minuto na aproximação às duas subidas finais, perfeitamente encadeadas, com Wout Poels a lançar um forte ataque nas primeiras rampas de dois dígitos do Côte des Amerands, conseguindo distanciar os dois companheiros de fuga. Na descida e nos primeiros quilómetros da subida de Le Bettex Wout Van Aert ainda tentou encurtar distâncias, mas Wout Poels voltaria a consolidar a sua vantagem, passando a barreira do minuto para confirmar a sua primeira vitória em etapas em grandes voltas aos 35 anos de idade.

Jumbo e UAE numa guerra infinita

Se na frente a luta era pela etapa, naturalmente no pelotão a luta pela camisola amarela era a mais importante. Com a Jumbo a conduzir o pelotão na maioria do dia por intermédio de Christophe Laporte, como já havia feito ontem, na aproximação à subida final foi a UAE quem tomou conta das operações, mostrando que o bloco ao serviço de Tadej Pogacar é fortíssimo, tal como os seus arqui-rivais neerlandeses. Na aproximação à subida final houve tempo para um susto na conta de Simon Yates que ficou cortado por alguns momentos, mas prontamente voltou ao grupo principal com a ajuda dos colegas de equipa.

O primeiro nome a ceder foi Tom Pidcock, continuando a tendência mostrada no dia de ontem, mas depois cairiam nomes bem mais pesados como Simon Yates, Pello Bilbao e principalmente Jai Hindley, candidato na luta pelo pódio. Em sentido contrário David Gaudu teve o seu primeiro grande dia neste Tour, sendo ele e Carlos Rodriguez os únicos corredores no grupo principal que não eram da UAE ou Jumbo.

Tal como ontem, quando Adam Yates saltou para a frente só restaram Tadej Pogacar e Jonas Vingegaard na roda do britânico, uma imagem que já se começa a tornar habitual neste Tour. O primeiro camisola amarela deste Tour abriu mesmo distância para os dois primeiros neste Tour, numa inusitada imagem em que Pogacar soltou a roda do seu gregário, iniciando mais um “jogo de xadrez” com o camisola amarela. 

Tal como ontem Carlos Rodriguez aproveitou esta marcação para chegar a estes dois, num dos momentos mais bizarros deste Tour com o espanhol a lutar para consolidar o seu lugar no pódio, enquanto na sua roda se jogava o Tour de France. Pogacar arrancou já dentro do último quilómetro, mas Vingegaard agarrou a sua roda e os dois acabaram por chegar lado a lado à meta. 

No fecho da segunda semana deste Tour, dez segundos separam dois corredores que parecem mais igualados do que nunca e numa enorme batalha física, mas também mental.

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