Estrada, Nacional

Volta a Portugal Continente: A análise das etapas

Volta a Portugal Continente: A análise das etapas

Com a prova rainha do ciclismo português já aí ao virar da esquina, importa olhar para os 1598,6 quilómetros que irão separar o primeiro tiro de partida, em Viseu, do último risco de meta, em Viana do Castelo. A edição deste ano da Volta a Portugal traz consigo algumas novidades, como o contrarrelógio final a terminar ao crepúsculo no santuário de Santa Luzia, o regresso da prova à região do Algarve, cinco anos depois, e a presença novamente do sterrato, na etapa com chegada a Fafe.

Se quiseres ficar a par das 11 tiradas que compõe a 84ª edição da ‘Grandíssima’, não percas este guia que trazemos até ti. Esta será a primeira parte do guia, durante a tarde irão sair mais 2 partes, está atento!

Prólogo: Viseu – Viseu; 3,6 km (9 de agosto)

É em Viseu que o pelotão irá percorrer os primeiros 3600 metros de pedaladas da Volta, no já habitual prólogo. Num perfil totalmente plano e sem dificuldades técnicas assinaláveis, não são de esperar diferenças significativas entre os ciclistas, e o dia servirá apenas para atribuir a primeira camisola amarela da Volta. Neste contexto, será uma tirada adequada aos contrarrelogistas, mas também aos homens rápidos do pelotão, dada a tão curta distância do trajeto.

Perfil do Prólogo.
Fonte: Podium Events

Etapa 1: Anadia (Sangalhos) – Ourém; 188,5 km (10 de agosto)

No segundo dia de prova, e da primeira etapa em linha, o pelotão da estrada faz uma visita ao velódromo nacional de Sangalhos, de onde irá ser dado o tiro de partida para cerca de 188 quilómetros, que irão concluir na cidade de Ourém, que volta a figurar no percurso da prova quase 60 anos depois.

Pela frente, os ciclistas terão de contar com três metas volantes, situadas em Vila Nova de Poiares (49,1 km), Ferreira do Zêzere (124,5 km) e Tomar (147,5 km), e com o mesmo número de contagens de montanha: uma contagem de 3ª categoria na Serra do Buçaco, ao quilómetro 23,6; uma contagem de 4ª categoria em Alburitel (159,2 km) e a última contagem do dia, de 3ª categoria, irá estar situada em Fátima (175,5 km). As duas últimas subidas categorizadas situam-se já dentro dos últimos 30 quilómetros da etapa, e já depois da primeira passagem pela cidade dos templários, contudo prevê-se que não sejam suficientes para evitar uma chegada ao sprint. A colocação será essencial nos metros finais da etapa, já que uma curva de 90 graus nos últimos 300 metros poderá ser decisiva no desfecho da tirada.

Perfil da 1.ª Etapa
Fonte: Podium Events

Etapa 2: Abrantes – Vila Franca de Xira; 177,3 km (11 de agosto)

A segunda etapa será corrida integralmente na província do Ribatejo, e fará a ligação entre as cidades de Abrantes e Vila Franca de Xira, num total de 177,3 quilómetros. Sempre acompanhando o curso do Tejo, o perfil desta etapa regista três metas volantes (Torres Novas, 31,6 km; Cartaxo, 89,4 km e Arruda dos Vinhos, 134,4 km) e dois prémios de montanha, o Alto da Agruela (4º categoria; aproximadamente 3,4 km a 4,2% de inclinação; 126,4km) e Carvalha (3ª categoria; aproximadamente 4,4 km a 5,1% de inclinação; 139,2 km), praticamente encadeados. A última das contagens categorizadas dista cerca de 37 quilómetros do risco de meta, pelo que se prevê, novamente, um dia para os sprinters lutarem entre si pela vitória.

Perfil da 2.ª Etapa
Fonte: Podium Events

Etapa 3: Sines – Loulé; 191,8 km (12 de agosto)

O dia da etapa mais longa desta edição da Grandíssima representa também o tão desejado regresso da caravana da Volta à região do Algarve, cinco anos depois. Apesar da etapa não apresentar dificuldades acrescidas na maioria do seu traçado, a aproximação à cidade de Loulé apresenta armadilhas que poderão ser decisivas na seleção do vencedor final. As três metas volantes do dia localizam-se em Odemira (54,6 km), Ourique (102,7 km) e Almodôvar (131,3 km), que inclui também duas contagens de montanha, Pico do Mú (4ª categoria; 151,2 km) e Cruz da Assumada (4ª categoria; 185,3 km). A última subida do dia localiza-se a, aproximadamente, 6,5 km da chegada, e apesar de apresentar uma inclinação média de 4,9% nos seus 3,6 km de extensão, atinge inclinações superiores a 10% em alguns trechos, com inclinação máxima de quase 21%. Será, portanto, um final seletivo que poderá arrumar da discussão da etapa alguns dos sprinters ou promover ataques tardios que possam ser concluídos com sucesso em Loulé.

Perfil da 3.ª Etapa
Fonte: Podium Events

Etapa 4: Estremoz – Castelo Branco; 184,5 km (13 de agosto)

Após um longo transfer entre Loulé e Estremoz, os ciclistas partem para a 4ª etapa que marca o ponto de inflexão da Volta para o norte do país, e fará a ligação entre aquela cidade alentejana e a Beira Baixa, nomeadamente a Castelo Branco, um habitué já no percurso da Volta a Portugal.

Com um perfil muito semelhante a anos transatos, a etapa apresenta três metas volantes (Alter do Chão, 52,1km; Portalegre, 84,4 km; e Vila Velha de Ródão, 154,6 km) e três contagens de montanha, em Monte Paleiros (3ª categoria; 94,1 km), Serra de São Miguel (3ª categoria; 148,5 km) e Retaxo (3ª categoria; 171,3 km). Por isso mesmo, é de prever regresso dos sprinters como grandes protagonistas do dia, tal como aconteceu com João Matias em 2022, Daniel Mestre em 2019 ou Samuel Caldeira em 2017. Das últimas chegadas à cidade raiana, apenas em 2021 não se registou uma chegada em pelotão compacto, já que Kyle Murphy triunfou em solitário.

Perfil da 4.ª Etapa
Fonte: Podium Events

 Etapa 5: Mação – Covilhã (Torre); 184,3 km (14 de agosto)

E o sexto dia de prova marca o início da luta pela classificação geral. À 5ª etapa o pelotão chega à Serra da Estrela, é o dia da mítica chegada à Torre. Também aqui o perfil da edição deste ano da prova “imita” os de anos passados, nomeadamente os de 2019, 2021 e 2022. Com três metas volantes no Sardoal (20,7 km), Oleiros (85,9 km) e Covilhã (164,1 km), o traçado apresenta apenas duas contagens de montanha categorizadas antes da subida à Torre, uma contagem de categoria especial (24,4 km a 6,3% de inclinação): Portela (97,1 km) e Orvalho (109,1 km), ambas de 4ª categoria. Por isso, e usando uma expressão de nuestros hermanos, esta será, na prática, uma etapa unipuerto, apresentando um percurso sem particular dificuldade antes da ascensão ao alto da Torre, que irá coincidir com a meta.

Perfil da 5.ª Etapa
Fonte: Podium Events

Etapa 6: Penamacor – Guarda; 168,5 km (15 de agosto)

Em véspera do dia de descanso, os homens do pedal têm pela frente mais um traçado rendilhado, que faz a ligação entre Penamacor e a Guarda. Após uma primeira metade de etapa onde a orografia não apresenta grandes dificuldades, sendo apenas de registar a passagem no prémio de montanha de 3ª categoria em Sortelha, a primeira passagem pela linha de meta (que coincide com uma contagem de montanha de 3ª categoria) dita uma mudança de cenário. Nos últimos 65 quilómetros do dia, raros serão os metros planos, com uma sequência de subidas que com certeza irá moldar o grupo que discutirá a etapa: Aldeia Viçosa (3ª categoria; 125,6 km), Videmonte (2ª categoria; 10,9 km a 5,5% de inclinação média; 138,7 km) e duas contagens de 3ª categoria na cidade da Guarda, a última delas a coincidir com a meta (159 km e 168,5 km, respetivamente). De notar que as três metas volantes se encontram em Penamacor (15,3 km), Sabugal (66,6 km) e Trinta (147,8 km).

Em 2021, e com um perfil muito semelhante ao traçado deste ano, foi Frederico Figueiredo o vencedor na Guarda, com o pelotão a chegar escavacado pela dureza das colinas da cidade mais alta do país.

Perfil da 6.ª Etapa
Fonte: Podium Events

Etapa 7: Torre de Moncorvo – Montalegre (Larouco); 162,6 km (17 de agosto)

Após o merecido dia de descanso, os bravos do pelotão têm pela frente mais uma chegada em alto, desta feita na regressada Serra do Larouco, na 7ª etapa da Volta a Portugal. Com partida em Torre de Moncorvo, o pelotão irá dedicar o dia à região de Trás-os-Montes, até à chegada ao concelho de Montalegre. Pela frente, são de realçar as já habituais três metas volantes em Valpaços (66,7 km), Boticas (116,3 km) e Montalegre (149,2 km), e as quatro subidas categorizadas do dia: Vila Flor (2ª categoria; 20,8 km), Alto do Barracão (3ª categoria; 81 km), Torneiros (1ª categoria; 4,89 km a 8% de inclinação; 121,5 km) e Serra do Larouco (1ª categoria; 9,86 km a 5,5% de inclinação, 162,6 km).

Apesar das rampas do Larouco não serem as mais inclinadas que os ciclistas irão encontrar pela frente nesta edição da Volta, o cansaço acumulado, as subidas anteriores, nomeadamente a subida de Torneiros, e o forte vento característico da subida final, serão condimentos importantes para mais uma luta pela camisola amarela.

Perfil da 7.ª Etapa
Fonte: Podium Events

Etapa 8: Boticas – Fafe; 146,7 km (18 de agosto)

À entrada do último fim de semana de competição da prova, o pelotão tem pela frente a etapa em linha mais curta desta edição da Volta a Portugal e o regresso do sterrato, ou gravilha, que marcou presença nas edições de 2016 e 2017. Com partida em Boticas e chegada a uma das cidades com maior tradição na Volta a Portugal, Fafe, o pelotão terá de percorrer 146,7 quilómetros para encontrar o vencedor da 8ª etapa da prova. Pelo meio, terão de ultrapassar três metas volantes, em Salamonde (56 km), Póvoa de Lanhoso (83,9 km) e Fafe (114,1 km), e três contagens de montanha, em Alturas do Barroso (3ª categoria; 15,7 km), Golães (4ª categoria; 110,7 km) e na Casa do Penedo (3ª categoria; 128,2 km). No papel, esta seria uma etapa que permitiria os ciclistas respirar um pouco de alívio antes das grandes decisões, mas na prática não será bem assim. Isto porque na chegada ao concelho de Fafe, começam a surgir as maiores dificuldades, como a subida de Golães (1 km a 7,4% de inclinação), que poderá permitir algum endurecimento da corrida por parte das equipas com pretensões à vitória, e a inédita subida da Casa do Penedo, cujos últimos 1,5 quilómetros (a 7,3% de inclinação média) serão totalmente em sterrato, o que irá aportar, para além de beleza, dureza acrescida à corrida.

Perfil da 8.ª Etapa
Fonte: Podium Events

Etapa 9: Paredes – Mondim de Basto (Srª da Graça); 174,5 km (19 de agosto)

A penúltima etapa da Grandíssima discute o título de “etapa rainha” com a etapa 5, dia da tradicional chegada à Torre. Com 174,5 quilómetros a separar Paredes do alto da Srª da Graça, no Monte Farinha, e repleta de alta montanha, este será um dos dias de decisões. Com o mesmo percurso do pretérito ano, há a assinalar três metas volantes, em Paredes (31,2 km), Amarante (66,8 km) e Mondim de Basto (162,8 km), e cinco montanhas categorizadas, três delas de 1ª categoria. Importa assim enumerar as subidas da Rotunda Antarte (4ª categoria; 1,4 km a 6,1% de inclinação; 11,6 km), Serra do Marão (1ª categoria; 21,5 km a 3,1% de inclinação; 96,7 km), Velão (4ª categoria; 5,1 km a 3,6% de inclinação; 112,1 km), Barreiro (1ª categoria; 10,5 km a 8,4% de inclinação; 133,4 km) e Srª da Graça (1ª categoria; 8,4 km a 7,5% de inclinação; 174,5 km).

Com a dureza que polvilha este dia, é certo que a camisola amarela irá estar em jogo. Poderá ser um dos dias mais decisivos e emocionantes da Volta, à imagem do que tem acontecido nas mais recentes passagens por este local.

Perfil da 9.ª Etapa
Fonte: Podium Events

Etapa 10: Viana do Castelo – Viana do Castelo; 18,2 km (20 de agosto)

E finalmente chegamos aos últimos 18,2 quilómetros de pedaladas da 84ª edição da Volta a Portugal. O dia onde tudo se vai decidir. Para culminar em grande mais uma festa do ciclismo português, foi escolhido um dos cenários mais belos que o nosso país tem para oferecer, o santuário de Santa Luzia, pintado pela luz do sol de fim de tarde. Sim, porque o contrarrelógio final da prova irá terminar por volta das 20h, numa decisão inédita da organização.

Dos 18,2 quilómetros do traçado escolhido para coroar o vencedor da competição, 2,9 serão percorridos na ascensão ao santuário de Santa Luzia, com o seu empedrado característico, podendo ainda levar a alguns ajustes na classificação geral, caso a tabela classificativa assim o permita. Sem dificuldades técnicas acrescidas, e com a inclusão da escalada final, esta será, provavelmente, mais uma etapa discutida pelos homens da geral, numa altura em que a frescura física muitas vezes se sobrepõe à capacidade nesta disciplina.

Perfil da 10.ª Etapa
Fonte: Podium Events

Não percam, mais logo, a segunda parte deste guia que será dedicado à análise das equipas estrangeiras (já disponível AQUI)!

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