Ciclocrosse, Internacional

Taça do Mundo de Val di Sole: Vanthourenhout foi brincar à neve

Taça do Mundo de Val di Sole: Vanthourenhout foi brincar à neve

E depois de uma visita a Dublin, a Taça do Mundo de Ciclocrosse prosseguiu a sua digressão por terras “forasteiras”, desta feita com a paragem em Val di Sole, para a 10ª prova da competição. Este vale, localizado na região alpina de Trentino, no norte de Itália, é já um habitué no que diz respeito a competições velocipédicas, nomeadamente as vertentes de verão, como a estrada ou o BTT. O ciclocrosse é a mais recente especialidade a rumar a este local, que se estreou como anfitrião de provas da Taça do Mundo apenas o ano passado, numa corrida vencida por Wout Van Aert. O plano da UCI passa por tornar o ciclocrosse um desporto olímpico de inverno, e a melhor forma que encontrou de promover essa candidatura foi associar-se com uma das catedrais do ciclismo, e acrescentar uma prova realizada na neve ao calendário da Taça do Mundo.

Naturalmente, uma passagem por Val di Sole em dezembro só pode significar um cenário, antagónico ao nome da região (Val di Sole em português significa Vale do Sol): neve, gelo e muito frio. Apesar destas condições não serem completamente estranhas ao ciclocrosse, nada se compara com a abundância que encontramos nesta corrida, e são essas condições que tornam esta prova única e tão desafiante. O desenho do circuito de Val di Sole não acarreta muitas dificuldades a nível técnico, com longas retas, poucas curvas apertadas, poucas inclinações, as típicas barreiras. Mas o fator que faz desta uma das corridas mais difíceis é mesmo a neve. O manto branco que cobre cada metro do traçado, e que torna o solo escorregadio e imprevisível, exige dos crossers muita técnica, muito controlo da bicicleta, potência e resistência. É uma corrida em que cada um corre contra si próprio, pois aqui os erros e deslizes são quase certos. Este ano, sem a presença do vencedor da pretérita edição e do campeão mundial Tom Pidcock, o grande favoritismo era obviamente atribuído a Mathieu Van der Poel (Alpecin-Deceuninck), cujas características se adequavam bem a esta prova. O segundo classificado do ano passado, e atual campeão europeu, Michael Vanthourenhout (Pauwels Sauzen-Bingoal), também era alguém que teria uma palavra a dizer, assim como Laurens Sweeck (Crelan-Fristads), líder da Taça do Mundo, que, por ser o aniversariante do dia, estaria com uma motivação acrescida. Apesar do decréscimo de forma dos últimos meses, motivado por uma lesão, Eli Iserbyt (Pauwels Sauzen-Bingoal) seria sempre alguém a ter em conta na luta pelo pódio.

Como se adivinhava, esta seria uma corrida diferente, e bastante aberta. Com o circuito extremamente escorregadio, aquele que melhor se adaptasse e cometesse menos erros, estaria numa posição vantajosa para vencer no dia de hoje. E a história do desfecho da corrida começou a escrever-se muito cedo, já que esta começou com um grupo surpreendente a liderar os primeiros metros: Kevin Kuhn (Tormans Cyclo Cross Team), Niels Vandeputte (Alpecin-Deceuninck) e Vanthourenhout, acompanhados esporadicamente por Iserbyt e Sweeck. Van der Poel rodava na oitava posição. Na terceira volta, o duo formado pelo campeão europeu e Vandeputte ganhou ascendente sobre os restantes, e na quarta volta já Vanthourenhout tinha partido em solitário, deixando Vandeputte (que seria ainda prejudicado por um furo) a lutar pelo segundo lugar.

Nas últimas duas voltas ao circuito, Kuhn e Sweeck ainda tentaram alcançar o corredor da Alpecin-Deceuninck, mas este sempre pareceu ter a situação controlada. Ao cabo de 57:59 minutos, Vanthourenhout foi o primeiro a cruzar a meta, com um domínio absoluto. Vandeputte foi segundo, a 39 segundos, alcançando o melhor resultado em provas da Taça do Mundo. Conquista essa também conseguida por Kuhn, que fechou na terceira posição, a 42 segundos do vencedor. Van der Poel acabou o dia na oitava posição, a 3:14 minutos de Vanthourenhout. Este foi um Van der Poel cauteloso, que tentou ao máximo evitar situações potencialmente perigosas que pudessem colocar em causa a sua integridade física e, consequentemente, a sua preparação para a época de estrada. Menos sorte teve Iserbyt, que acabou por ser retirado de maca do circuito após uma queda.

Na classificação geral da Taça do Mundo, Sweeck continua a liderar, com 288 pontos, seguido de Vanthourenhout (265 pontos), que beneficia da vitória de hoje para ultrapassar Iserbyt (249 pontos).

Na próxima semana corre-se o Exact Cross de Mol, na sexta-feira (23/12), na antecâmara daquela que vai ser uma das semanas mais aguardadas pelos fãs de ciclocrosse.

Foto de capa: Taça do Mundo de Ciclocrosse

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