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Taça do Mundo Benidorm: Van Empel e Van der Poel vitoriosos, em dia histórico para Portugal

Taça do Mundo Benidorm: Van Empel e Van der Poel vitoriosos, em dia histórico para Portugal

O dia chegou. O dia da estreia de Portugal na Taça do Mundo de Ciclocrosse. Foi às 12h40 que Joana Monteiro e Laura Simão deram as primeiras pedaladas portuguesas nesta competição. Às 14h10, seria a vez de Mário Costa também colocar o seu nome na história. Mas Benidorm ofereceu-nos mais do que isso. Quem se colou ao ecrã neste início de tarde de domingo não deu por perdidas as quase três horas do mais espetacular ciclocrosse do mundo porque, para além de corridas frenéticas, tivemos também as decisões da geral da Taça do Mundo.  

Elite/Sub-23 Feminino

Como já tínhamos antecipado, juntamente com a Joana Monteiro e o Mário Costa, o circuito de Benidorm iria proporcionar corridas rapidíssimas, e foi isso mesmo que se confirmou logo na corrida de Elites/Sub-23 Feminino. Como previu a dupla portuguesa entrevistada pela PCM, a subida de transição entre as duas metades da corrida iria ser um local decisivo na prova, e foi exatamente aí que a corrida começou ser selecionada logo na primeira volta. Na entrada para a parte mais técnica, já as Big 3, Fem Van Empel (Jumbo-Visma), Puck Pieterse (Alpecin-Deceuninck) e Shirin Van Anrooij (Baloise Trek Lions), assumiam a cabeceira da corrida. No final da primeira volta, já seguia um grupo de sete elementos destacado, mas o ritmo elevado com que a corrida seguia não era para todas, e o elástico esticava para muitas ciclistas. Após passagem pelo segundo parque que compunha o circuito, na segunda volta, que incluiu quedas de Pieterse e Lucinda Brand (Baloise Trek Lions), um grupo de quatro abria algum espaço, com as Big 3 e Silvia Persico (FAS Airport Services). No entanto, Van Empel e Pieterse pareciam as mais fortes do dia e ganhavam ligeiras vantagens momentâneas nas partes mais técnicas. O mesmo cenário repetiu-se na terceira volta, mas na descida gravilha, Van Anrooij e Persico fariam novamente a junção. A situação da corrida manteve-se inalterada nas voltas seguintes, mas no início da sexta volta, e com o final a aproximar-se a pedaladas largas, Pieterse tentou abanar com a corrida, aumentando o ritmo, e juntamente com Van Empel, voltaram deixar para trás as colegas de grupo no início da secção de gravilha. Sol de pouca dura, porque a resiliência de Van Anrooij no final dessa volta, e de Persico no final da volta seguinte, deixando antever uma última volta dramática.

Na última passagem pela dura subida do circuito, Van Empel impôs um ritmo sufocante, e só Pieterse conseguiu seguir a líder da Taça do Mundo. As duas fizeram os últimos metros da prova a um ritmo alucinante, ombro a ombro, até porque, para além da vitória na corrida, estava também a luta pela geral da Taça do Mundo. No último par de curvas, Vam Empel viria a ganhar uma vantagem de poucos segundos que lhe deu a vitória na prova e na geral da Taça do Mundo. Pieterse cortou a meta a 3 segundos e Van Anrooij fechou o pódio, a 13 segundos.

Relativamente à participação portuguesa, Joana Monteiro foi 44ª classificada e Laura Simão fechou na 50ª posição. Nas próximas horas, a Portuguese Cycling Magazine irá ouvir as intervenientes nesta corrida histórica, por isso não percas a oportunidade para saber tudo o que se passou em Benidorm na primeira pessoa.

A geral da Taça do Mundo ficou assim fechada, a uma prova do final, com Van Empel a ascender aos 395 pontos, seguida de Pieterse com 350 pontos e Van Anrooij com 264 pontos.

Elite Masculino

Depois da corrida fantástica no lado feminino, o lado masculino também não viria a desiludir. Contudo, a tarefa ficou facilitada desde início para Laurens Sweeck (Crelan-Fristads) no que à luta pela geral da Taça do Mundo diz respeito, já que Michael Vanthourenhout (Pauwels Sauzen-Bingoal) foi baixa de última hora devido a doença.

O fogo de artificio foi lançado por um dos principais favoritos, desta feita por Tom Pidcock (INEOS Grenadiers) logo na primeira volta, na entrada da secção de gravilha, que lhe valeu alguns segundos de vantagem durante meia volta. Na subida da segunda volta, Mathieu Van der Poel (Alpecin-Deceuninck), Wout Van Aert (Jumbo-Visma), Eli Iserbyt (Pauwels Sauzen-Bingoal) e Kevin Kuhn (Tormans Cyclo Cross Team) viriam a recolar a Pidcock, deixando Sweeck para trás, mas o líder da Taça do Mundo viria a juntar-se à frente da corrida ainda na descida técnica desta secção.

Na terceira volta, Van der Poel começou por impor um ritmo forte na passagem pela caixa de areia, ao qual deu continuidade na subida para o segundo parque. Atrás só Van Aert conseguia seguir o neerlandês, deixando Iserbyt, Sweeck e, principalmente, Pidcock a alguns segundos de distância. A descida permitiu a junção dos primeiro quatro, mas a quarta volta foi quase um déjà-vu do que tinha acontecido na volta anterior.  No entanto, apenas Van Aert viria a conseguir a recolagem a Van der Poel, e já na saída do setor de gravilha. Os dois titãs viriam a pedalar isolados durante algum tempo, com Iserbyt não muito longe, mas, surpreendentemente, na sexta volta, foram alcançados por Iserbyt, Sweeck e Pidcock.

Na sétima volta, foi a vez de Van Aert testar os rivais, com um ataque poderoso na dura inclinação do circuito, mas Van der Poel estava atento e não lhe deu muito espaço. Novamente seriam os dois a iniciar a secção de gravilha na frente, mas desta vez era Sweeck que mais diretamente fazia a perseguição, que iria durar uma volta até ser bem-sucedida. Já bem dentro da penúltima volta da corrida, foi Sweeck que tentou surpreender, ao lançar um ataque na entrada do segundo parque, mas o seu intento não teve o desfecho desejado. À entrada para a última volta, a corrida parecia vir a discutir-se a quatro, já que Iserbyt tinha-se juntado ao trio da frente.  E tal como na corrida feminina, foi uma última volta recheada de espetáculo, com vários ataques (principalmente de Van Aert) e ultrapassagens de cortar o fôlego, no entanto, o grupo manteve-se coeso… até à descida do setor mais técnico, quando Van der Poel e Van Aert cavaram uma distância decisiva para Sweeck e Iserbyt.

Num final impróprio para cardíacos, a discussão da corrida fez-se ao sprint, com Van der Poel a levar a melhor, ao fim de exatamente 1h de corrida. Iserbut viria a terminar na terceira posição, a nove segundos do vencedor.

Mário Costa terminou a sua primeira participação na Taça do Mundo de Ciclocrosse num honroso 32º lugar, a 5:03 minutos de Van der Poel, conseguindo atingir o objetivo pessoal a que se tinha proposto.

Na geral da Taça do Mundo, Sweeck, com a quarta posição no dia de hoje, e beneficiando da ausência de Vanthourenhout, sagra-se desde já vencedor desta edição da competição, com 355 pontos, mais 46 pontos que Vanthourenhout; Iserbyt é o terceiro classificado, com 274 pontos.

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