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Os 5 monumentos do ciclismo: uma regra não escrita

Os 5 monumentos do ciclismo: uma regra não escrita

Participantes

O nível de participantes numa determinada competição permite subentender se essa corrida é ou não é de qualidade, ou seja, quando a corrida é importante as equipas levarão, em princípio, as suas melhores “cartas” no sentido de conquistar tal prova.

O caso dos 5 monumentos não é exceção. Todas as equipas apresentam à partida, para cada uma destas clássicas, os seus melhores conjuntos, selecionando os corredores que mais se ajustam às características de cada corrida.

Para a Milano – Sanremo, as estruturas acabam por escolher atletas que sejam explosivos, para ultrapassar as duas principais subidas da corrida (a Cipressa e o Poggio di Sanremo), que tenham uma boa capacidade de descida e que saibam sprintar. No contexto de uma Volta à Flandres, as equipas optam por eleger corredores exímios a circular sobre o pavê “flandriano” e que façam com sucesso as subidas míticas como o Paterberg ou o Oude Kwaremont. Para o Paris – Roubaix, os conjuntos elegem ciclistas resistentes, aptos para ultrapassar os trechos de paralelo do norte de França e, acima de tudo, que tenham uma “pontinha” de sorte para finalizar com êxito o “inferno do norte”. Na decana das clássicas, as equipas apresentam blocos com atletas fortes nas subidas curtas, mas explosivas e, na Volta à Lombardia, a aposta passa por corredores com capacidade de subir as montanhas dessa região italiana e aparenta ser a clássica que melhor se assenta nas características de um “voltista”.

Intrinsecamente associado aos participantes estão os vencedores destas corridas e o palmarés é constituído por grandes lendas do nosso desporto: Eddy Merckx, para muitos o maior e melhor ciclista de todos os tempos, é recordista de vitórias na Milano – Sanremo (com 7 triunfos) e na Liège – Bastogne – Liège (com 5 vitórias). A Ronde van Vlaanderen apresenta um empate entre vários nomes, dos quais se destacam Fabian Cancellara, Tom Boonen e Johan Museeuw. Na rainha das clássicas, o Paris – Roubaix, também foi ganho pelos nomes ditos anteriormente, aos quais se junta Roger De Vlaeminck, um dos maiores rivais de Eddy Merckx. Quanto à “clássica das folhas mortas”, os atletas italianos dominam com a presença de Fausto Coppi (vencedor em 5 ocasiões) e de Alfredo Binda (o grande conquistador deste monumento nos finais dos anos 20).

© Walter Vermeulen – Eddy Merckx celebrando a sua 7ª vitória na Milano-Sanremo

Atualmente existem alguns corredores que estão muito próximos de entrar nos livros da história, empatando com os maiores recordistas: o caso de Mathieu Van der Poel na Volta à Flandres (está a uma vitória de igualar os mais vitoriosos) e de Tadej Pogačar na Volta à Lombardia (à distância de 2 vitórias de Fausto Coppi).

Por último, podemos dizer o seguinte: não são as corridas que fazem os ciclistas, mas são os ciclistas que fazem as corridas, ou seja, por muito interessante que determinada prova possa ser na teoria pode não ser atrativa caso os atletas a disputem de forma passiva, mas podemos ter casos em que o percurso até pode não ser o mais convidativo para que haja entretenimento, mas como estamos perante ciclistas ofensivos podemos ter uma excelente corrida em perspetiva.

Página 6: Os casos da Gent – Wevelgem, Strade Bianche e da Clássica de San Sebastián

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