Entrevistas

Nélson Oliveira: «O crono de Tóquio é bastante duro como eu gosto»

Em dia de descanso no Giro, Nelson Oliveira, o melhor contrarrelogista português da sua geração e um dos mais respeitados gregários do pelotão internacional, falou em exclusivo à Portuguese Cycling Magazine sobre a sua participação na Corsa Rosa.

À partida para o Giro d’Italia 2021, a principal missão de Nelson Oliveira seria estar ao serviço de Marc Soler, mas, após o abandono do catalão, “a equipa teve que procurar outros objetivos”, nomeadamente, “ir para as fugas e tentar vencer uma etapa”. Até Milão, a Movistar está preparada para procurar o sabor da vitória, “ficamos um bocado abalados com o abandono do Soler, mas conseguimos virar a página e agora a moral é boa para o que resta”.

Um dos momentos mais controversos destas duas primeiras semanas, foi o encurtar da etapa 16. Um dos mais experientes do pelotão presente na Corsa Rosa, Oliveira considera que “para o bem dos ciclistas, fizeram uma boa decisão entre a CPA e a RCS”, acreditanto que “se fizessemos o que estava programado, iria ser complicado para muitos ciclistas terminar a etapa”. Adicionalmente, relembra que “em 2013 fiz o Giro e houve uma etapa que foi mesmo cancelada”, referindo que desta vez conseguiu salvaguardar-se também o espetáculo.   

Nas cinco etapas que faltam, Nelson quer que a vitória chegue, “comigo ou com algum colega de equipa”, mas é realista quanto às suas oportunidades, “são três etapas de montanha com chegada em alto, o que não me favorece e uma etapa que as equipas dos sprinters, como será a última oportunidade, tentarão controlar”. Resta o crono, mas este “é completamente plano, vamos tentar fazer o melhor, sabendo que há muitos candidatos, especialmente os italianos, Ganna e Affini”. As esperanças lusas para o último dia são partilhadas com João Almeida, de quem Oliveira também espera uma boa prestação, “tanto o João como eu sentimo-nos bem e com boas expectativas” e acrescentando ainda um desejo para o compatriota, “espero também que o João suba na Geral, tem demonstrado estar bem”.

O que também será difícil é ver Oliveira de novo no podium final de uma Grande Volta. O luso já o fez no Tour e na Vuelta, ajudando a Movistar a conquistar a classificação coletiva, mas não deverá ser desta que junta o Giro ao palmarés. “Nunca se sabe, as coisas podem mudar muito de um dia para o outro na Classificação por Equipas, mas não é fácil e não me admira que, se numa fuga estiverem três Movistar, alguém esteja a tirar no pelotão para manter a classificação como está”, declara o contrarrelogista.

A presença de Nelson Oliveira no Giro faz parte de um plano já delineado para 2020 e que a pandemia atrasou, “ganhar nível competitivo para chegar nas melhores condições a Tóquio”. Para os Jogos Olímpicos, o português mostra-se motivado, “agrada-me bastante o percurso, especialmente o crono, é bastante duro como eu gosto”. Todavia, o veterano da Movistar sabe que há parte do traçado que está fora das suas mãos, “resta ao selecionador decidir quem vai, espero que entenda isso [que o percurso lhe assenta] e faça uma boa seleção”.

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