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Conhece Gonçalo Tavares, por U23 Cycling Zone

Conhece Gonçalo Tavares, por U23 Cycling Zone

O ciclista português, em declarações à U23 Cycling Zone e traduzidas pela Portuguese Cycling Magazine, conta-nos sobre os seus resultados, as suas habilidades e os seus sonhos no ciclismo, de 2024 em diante.

Gonçalo Tavares tem 19 anos e prepara, neste momento, aquela que poderá ser a sua última temporada como sub-23, na Hagens Berman Jayco. Recentemente, o ciclista português deu uma entrevista ao blog U23 Cycling Zone, espaço gerido pelo jornalista Joseph Doherty e que se tem assumido como a principal referência para antevisões e entrevistas do pelotão masculino sub-23 no ciclismo, pelo que recomendamos a todos os nossos seguidores que o sigam nas redes sociais, particularmente no X/Twitter:

Na sequência da publicação da entrevista com Gonçalo Tavares no dia 2 de fevereiro de 2024, e com autorização expressa do seu autor, propomo-nos a realizar a sua tradução, para que os fãs portugueses de ciclismo possam ler as declarações de Tavares em língua portuguesa, e também para que o excelente trabalho da U23 Cycling Zone em prol do ciclismo possa ser divulgado. Vamos então, em conjunto com eles, conhecer melhor Gonçalo Tavares!

Conhece Gonçalo Tavares, por U23 Cycling Zone

Depois de sair das categorias juniores como um grande talento, Gonçalo Tavares não dececionou os seus fãs na sua estreia como sub-23 em 2023. Competindo pela equipa Hagens Berman Axeon, como era conhecida em 2023, o português teve uma temporada realmente consistente enquanto se adaptava à nova categoria.

Avançando um ano, Tavares é hoje o campeão sub-23 de estrada de Portugal e será um ciclista chave para a equipa Hagens Berman-Jayco na temporada de 2024.

Foto: Hagens Berman Axeon

Entrevistei-o recentemente antes do início da sua segunda temporada sub-23; lê esta entrevista para conheceres melhor Gonçalo Tavares!

“Vejo a minha temporada de 2023 como uma temporada de aprendizagem. O meu objetivo desde o início foi participar no máximo de corridas que pudesse e eu queria fazer diferentes tipos de corridas, com o objetivo de aprender a ler a corrida, posicionar-me no pelotão e coisas assim. Agora, olhando para trás, acho que fui bem-sucedido nesse objetivo, claro que não obtive resultados, mas aprendi muito. Vi boas melhorias na abordagem, confronto e realização dessas corridas. Em relação à performance, sinto que fui muito consistente durante a temporada e terminei-a com boas pernas e sensações, o que é bom e também me dá motivação para encarar a temporada de 2024.”

Tavares já teve uma boa performance em duas corridas sub-23 muito montanhosas, ficando em 11º na Course de la Paix e em 17º na Aosta. Ele identifica-se como trepador, mas também gosta de contrarrelógio, e partilhou algumas das suas habilidades como ciclista muito jovem.

“Acho que subir é o que realmente me apaixona e estou ansioso para melhorar nas subidas longas. Mas o contrarrelógio é algo que gosto, porque vai muito além de colocar potência nos pedais. Além disso, no ano passado, participei em algumas corridas nas Ardenas e, honestamente, gostei muito mais do que esperava. Então, isso seria também algo a considerar no futuro. Agora, sinto que sou mais um trepador, mas quem sabe o que serei no futuro.”

Com a camisola de campeão nacional. Foto: Sara Cattivelli

Tavares dominou o campeonato de estrada sub-23 em Portugal, vencendo com mais de 2 minutos de vantagem. Ele contou-se sobre esse dia especial, impulsionado pela motivação de ter a família na chegada e querer conquistar o título por um familiar que, por motivos de saúde, não pôde comparecer à corrida.

“Foi uma corrida bastante especial, especialmente porque foi o meu primeiro título e tive algumas pessoas muito importantes à minha espera, na linha de chegada, para me darem um abraço. Além disso, o meu avô estava a passar por um momento muito difícil no hospital, e eu não o vejo muito por causa de todas as corridas, e ao vencer esse título parece que, de alguma forma, lhe dei força para continuar a lutar.”

A equipa Hagens Berman-Jayco tem sempre um bom calendário, combinando corridas profissionais com eventos sub-23, o que permitiu a Tavares participar em duas corridas profissionais de um dia, difíceis, no ano passado, em Wallonie e Limburg.

“A minha primeira corrida com os profissionais, em Limburg, foi muito difícil. O tempo estava bastante mau. Eu ainda estava muito ‘verde’ a correr com aquele pelotão e acabei por nem terminar a corrida. Mas no final da temporada, em Wallonie, eu estava muito nervoso por causa da ideia de correr com os profissionais, mas ver o Mathieu Van Der Poel ao meu lado no pelotão foi muito especial e provavelmente não esquecerei. E durante a corrida, eu estava-me a sentir muito bem e também a correr bem, estava ansioso pelo final, mas caí nos últimos 10 km e nunca mais vi o pelotão. Não foi uma boa maneira de me estrear na minha primeira corrida profissional, mas com certeza que aprendi e adquiri conhecimentos importantes para o futuro.”

A representar a selecção nacional, nos Mundiais de Glasgow. Foto: Federação Portuguesa de Ciclismo.

Olhando para a temporada que começa, Tavares diz que outro ano apenas de aprendizagem não será suficiente. Claro que ele ainda aprenderá em 2024, mas também tentará obter alguns resultados.

“Em 2024, tenho que elevar o meu nível e sinto que só aprender não será suficiente, então o principal objetivo é tentar obter alguns resultados em classificações gerais ou vencer alguma corrida importante nos sub-23. Claro, há algumas corridas que quero fazer, que não fiz no ano passado, e estar nessas corridas também é um objetivo, mas o objetivo da próxima temporada é começar a ter resultados na categoria.”

Gonçalo diz que não gosta de sonhar com vencer corridas, mas quando o ‘obriguei’ a escolher uma, ele concordou de forma gentil e escolheu uma das melhores do calendário como vitória dos seus sonhos.

“[Essa é] uma pergunta difícil para alguém como eu, porque não sou um grande sonhador, sou o tipo de pessoa que tenta sempre manter os pés no chão e manter as expectativas realistas. Mas, se eu pudesse escolher, eu diria o Giro d’Italia. Sinto que é uma grande volta tão especial, por ser a primeira do ano e num país tão bonito, com subidas icónicas, e também adoro a comida italiana.”

Gonçalo Tavares tem todas as ferramentas para se tornar num dos melhores trepadores e ciclistas de provas por etapas na categoria sub-23, algo que não tenho dúvidas de que ele alcançará, antes de seguir para uma carreira profissional bem-sucedida. Tem sido emocionante acompanhá-lo até agora, e a sua jornada está apenas a começar.

Em 2023, a vencer o título nacional de fundo em sub-23. Foto: Federação Portuguesa de Ciclismo

A U23 Cycling Zone agradece ao Gonçalo por responder às minhas perguntas, e desejo a ele tudo de melhor para a temporada de 2024 e mais além. Também gostaria de agradecer ao Chad Childers, por estabelecer a ponte entre mim e o Gonçalo. Podes encontrar Gonçalo Tavares no Instagram, link aqui.

Agradecemos à U23 Cycling Zone a disponibilidade com que acedeu ao pedido da Portuguese Cycling Magazine, no sentido da tradução desta entrevista, e desejamos-lhe uma continuação do seu óptimo trabalho!

U23 Cycling Zone (Entrevista) & Portuguese Cycling Magazine (Tradução)

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