Ciclocrosse, Internacional, Nacional

Antevisão Taça do Mundo CX Benidorm: parte II – a entrevista exclusiva a Joana Monteiro e Mário Costa

Antevisão Taça do Mundo CX Benidorm: parte II – a entrevista exclusiva a Joana Monteiro e Mário Costa

Na segunda parte desta antevisão especial da prova da Taça do Mundo de Ciclocrosse de Benidorm, trazemos, como anunciado, uma entrevista exclusiva aos dois ciclocrossistas portugueses que vão fazer história no ciclismo nacional: Joana Monteiro e Mário Costa. A Portuguese Cycling Magazine endereçou o desafio aos dois atletas da AXPO/FirstBike Team/Vila do Conde de responderem a algumas perguntas sobre a prova, e não só, às quais Joana e Mário acederam com toda a simpatia.

Fonte: Facebook de Mário Costa

Têm sido uns dias atarefados para a dupla vilacondense, que chegou a Benidorm na quinta-feira. Apesar de ainda não terem tido a oportunidade de treinar oficialmente no circuito da prova à data da realização desta entrevista (ontem, dia 20 de janeiro), confidenciaram à PCM que “…hoje [ontem] depois de um treino tranquilo na estrada deu para dar uma volta e poder ver o circuito. É muito rápido, nunca fizemos nada assim, não tem zonas de dificuldade técnica elevada, não temos margem de erro e vai ser disputado a alta velocidade.”. Confirmaram-nos ainda aquilo que já suspeitávamos, “a grande dificuldade está em chegar à segunda metade do circuito, pois antes subimos uma rampa de cimento [300 metros a 8%]. É aí que se podem marcar diferenças.”

Sendo a primeira participação em provas da Taça do Mundo de Ciclocrosse, e logo num pelotão recheado de qualidade, Joana e Mário partem para a corrida com as expectativas realistas e preparados para tudo: “Não temos qualquer referência anterior, por isso é que queríamos tanto estar aqui, para poder competir em ciclocrosse ao mais alto nível e poder ver onde nos encontramos. Sendo que para nós um resultado dentro do top-40 seria bom.”

Joana Monteiro e Mário Costa nos Campeonatos Europeus de BTT 2022, que decorreram em Anadia. Foto: Instagram de Mário Costa

No entanto, competir ao mais alto nível não é novidade nenhuma para esta dupla, uma vez que já participaram em várias provas da Taça do Mundo, Campeonatos da Europa e Campeonatos do Mundo de XCO. Será que a experiência acumulada do BTT permite encarar esta prova com tranquilidade, ou, por ser uma disciplina diferente, poderá sentir-se o nervosismo e ansiedade? “Essa experiência é uma vantagem na gestão da ansiedade claro, mas na hora da verdade o nervosinho será grande por ser uma novidade. É preciso ter em conta que nunca participamos em nenhuma prova internacional de ciclocrosse. Para além das corridas que há em Portugal, apenas temos no palmarés a participação na Copa Galega de ciclocrosse, pelo que será um bocado diferente.”, afirmaram.

Como é natural, não pudemos fugir à presença das grandes estrelas da modalidade em Benidorm: Van der Poel, Van Aert, Pidcock, Marianne Vos, Fem Van Empel, Lucinda Brand, Puck Pieters, Shirin Van Androij. Quisemos saber como é que os dois ciclocrossistas olham para estas figuras, e se irá haver algum sentimento especial por correr contra elas. Para o Mário Costa, esta não será a primeira vez que se cruza em competição com alguns dos crossers de topo, apesar das vezes anteriores terem sido numa disciplina diferente, como é o caso do BTT: “Contra Van der Poel e Pidcock já tive oportunidade de correr, será a primeira vez com Van Aert e será especial pois é uma das minhas maiores referências no ciclismo atual.”. Já para a Joana Monteiro, “durante a corrida vai ser difícil e pouco provável estar ao lado delas, mas nos treinos espero poder aprender algo.”. Perguntamos também se, no pouco tempo de estadia em Benidorm, já teriam tido a possibilidade de contactar com estes ciclistas, ou outros, mas “até ao momento ainda não, talvez amanhã [hoje] com os primeiros treinos oficiais seja possível.”

Apesar de correrem com as cores da sua equipa, AXPO/FirstBike Team/Vila do Conde, nas provas onde irão participar (Elite Masculino e Feminino), estes dois atletas transportam também em si o nome de Portugal, o que garante exposição ao país e, consequentemente, à Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC). Questionamos se teriam tido algum apoio por parte da federação: “Não tivemos qualquer apoio por parte da FPC. A nossa participação partiu da nossa vontade já antiga de participar numa corrida de ciclocrosse deste nível, aproveitamos assim a oportunidade de termos Benidorm “perto de casa” e juntar esta experiência à nossa bagagem.”

É cada vez mais notório o maior mediatismo que o ciclocrosse tem vindo a assumir nos últimos anos no panorama internacional, mas também no nosso país. Sendo Joana Monteiro e Mário Costa os primeiros portugueses a participar numa prova da Taça do Mundo, é normal que o foco esteja também sobre eles, quer para esta corrida, quer para o futuro. Será que a dupla sente uma pressão acrescida por causa disso, ou encaram com naturalidade? “Era bom que essa fosse a nossa realidade, mas infelizmente o ciclocrosse em Portugal passa ao lado da maioria dos praticantes de ciclismo e mais ainda da população em geral. Não sentimos pressão acrescida, sentimos responsabilidade e ambição de fazer um bom resultado para deixar uma boa marca como ponto de partida.”

É verdade que a estrutura do ciclocrosse em Portugal ainda é bastante frágil, e que temos ainda um longo caminho a percorrer e várias questões de fundo para resolver, se a modalidade quer ter evolução que todos esperamos que tenha, tal como declarou Mário Costa numa longa entrevista que deu à Portuguese Cycling Magazine há umas semanas. Inegável tem sido também o trabalho que esta dupla tem feito na promoção da modalidade no nosso país, através de uma presença bastante ativa nas redes sociais, partilhando vários tipos de conteúdos interessantes no canal de Youtube de Mário Costa. Será que Joana Monteiro e Mário Costa se sentem como os embaixadores da modalidade em Portugal? E será que este maior mediatismo do ciclocrosse se tem refletido no número de pessoas a quem o seu trabalho tem chegado? “Não nos consideramos embaixadores, gostamos muito da modalidade e nos últimos anos temos conseguido participar na maioria das corridas em Portugal, temos ganho algumas e outras nem por isso, mas fazemos sempre passar uma boa imagem para quem nos segue e vê o ciclocrosse desde fora. Quanto ao chegar a mais pessoas achamos que é notório, mas temos todos enquanto comunidade de fazer muito mais e conseguir atrair aos circuitos multidões para verem o espetáculo que é o ciclocrosse.”

Resta-nos agradecer à Joana Monteiro e ao Mário Costa a simpatia e a disponibilidade para esta entrevista, e desejar boa sorte para a estreia histórica da dupla em provas da Taça do Mundo.

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