Ciclocrosse, Internacional

Antevisão do Campeonato do Mundo de Ciclocrosse: Tábor 2024

Antevisão do Campeonato do Mundo de Ciclocrosse: Tábor 2024

Os favoritos: Júniores, Sub-23 e Elites Masculinos

Júniores

Stefano Viezzi sentenciou a geral da Taça do Mundo, na passada semana em Hoogerheide. Conseguirá repetir o feito em Tábor?

No escalão júnior masculino, prevê-se uma corrida emocionante pela tão almejada camisola do arco-íris, com vários nomes com aspirações legítimas de a conquistar. Um deles é Stefano Viezzi (Itália), recém vencedor da geral da Taça do Mundo, celada com a conquista da prova de Hoogerheide. O italiano venceu três rondas da competição, tantas quanto o seu mais direto adversário, Aubin Sparfel (França). Os dois dominaram a única competição de regularidade onde podemos ver em ação ao mesmo tempo os melhores juniores da atualidade, com Sparfel a falhar o assalto ao 1º lugar por apenas cinco pontos. No entanto, venceu 12 das 17 provas em que entrou na presente temporada, uma das quais lhe valeu a medalha de ouro nos Campeonatos da Europa corridos em casa. Senna Remijn (Países Baixos) é outro a entrar para o rol de favoritos ao lugar mais alto do pódio; depois da prata conquistada o ano passado em Hoogerheide, o jovem, que assinou há dias pela equipa da Alpecin-Deceuninck, chega a Tábor em crescendo de forma, conquistando três vitórias no mês de janeiro (uma da quais deu direito ao título nacional), e o 2º lugar na última prova da Taça do Mundo, no passado domingo. Também em representação dos Países Baixos, Keije Sonen regressa aos Campeonatos do Mundo com vontade de melhorar a exibição do ano passado. Na presente temporada, saiu vitorioso em três corridas do calendário júnior, e a sua regularidade na Taça do Mundo colocou-o no último lugar do pódio, feitas as contas da geral.

Outros nomes a ter em conta são o de Jules Simon, mais um francês a dar cartas no passado recente, finalizando as últimas jornadas da Taça do Mundo no pódio e sagrando-se vice-campeão nacional em meados de janeiro, ou de Arthur Van Den Boer (Bélgica), o campeão belga.

Sub-23

Será que Tibor Del Grosso já faz mira à camisola do arco-íris? (Fonte: Getty Images)

No escalão masculino Sub-23, o destaque vai para Tibor Del Grosso (Países Baixos). Apesar de ter restringido a temporada de ciclocrosse apenas aos últimos dois meses, com particular foco nas provas que compõe o calendário da Taça do Mundo Sub-23, o (ainda) vice-campeão do mundo Sub-23 fez o suficiente para aterrar em Tábor como o principal favorito. No seu escalão, sagrou-se vencedor da geral da Taça do Mundo, contabilizando quatro vitórias em seis corridas; no patamar superior, foi um dos destaques da ronda do Superprestige de Heusden-Zolder, sendo o promotor das primeiras mexidas da corrida, naquele que foi o seu melhor resultado de sempre entre os Elites (5º). Será que teremos Tibor em Tábor?

É do lado belga que surgem os principais rivais de Del Grosso, com Emiel Verstrynge a encabeçar a armada tricolor. Campeão europeu e vice-campeão do mundo em 2022, Verstrynge consolidou-se esta temporada como um dos melhores Sub-23 do panorama internacional. Prova disso mesmo são a medalha de prata nos Campeonatos da Europa, o título belga conquistado há três semanas, as duas vitórias na Taça do Mundo da categoria (que lhe garantiram a 2º posição na geral final) e ainda vários top-10 em provas da categoria Elite, onde acabou, em algumas delas por ser o melhor Sub-23 em prova. Ao seu lado irá ter aquele que lhe sucedeu no que ao título europeu diz respeito, Jente Michels. Para além do ouro em Pontchâteau, o colega de equipa de Del Grosso alcançou duas vitórias em provas C2 entre os Elites, e ocupou o 3º lugar na geral da Taça do Mundo Sub-23, terminando no pódio em quase todas as etapas da competição.  

À espera de surpreender e finalizar este Campeonato do Mundo em lugares medalháveis surge um grande leque de candidatos, como Rémi Lelandais (França), o vice-campeão da Taça de França no escalão Elite e 4º classificado da Taça do Mundo Sub-23; Ward Huybs (Bélgica), presença assídua no top-5 de várias provas do calendário Sub-23; Andrew Strohmeyer, vice-campeão nacional Elite dos EUA; Aaron Dockx (Bélgica), que tem vindo a atingir a melhor forma, terminando na 3ª posição da etapa da Taça do Mundo de Benidorm; ou Léo Bisiaux, o talentoso francês que se sagrou campeão do mundo Júnior na passada edição da competição.

Elite

À semelhança do previsível cenário da vertente feminina, também no lado dos homens há um claro favorito à vitória no próximo domingo, admitido inclusivamente pelos próprios adversários. Com a ausência de Wout van Aert (Bélgica) e Tom Pidcock (Reino Unido), é o restante elemento dos designados “Big 3” do ciclocrosse que assume todo protagonismo em Tábor. Falamos, claro está, de Mathieu van der Poel (Países Baixos). Indiscutivelmente o melhor ciclocrossista da atualidade, e a entrar na discussão do melhor de todos os tempos, recorremos aos números para explanar o domínio do campeão do mundo de Hoogerheide em 2023/2024: em pouco mais de um mês, Van der Poel participou em 13 corridas, ganhou 12, e fechou em 5º na Taça do Mundo de Benidorm após uma queda que “manchou” mais uma exibição impressionante. Mas se é verdade que os números já revelam muito do que foi a temporada do neerlandês, escondem a forma avassaladora como grande parte destas vitórias foram conquistadas: isolado desde as primeiras voltas de corrida, acumulando largos segundos e minutos sobre os seus mais diretos adversários. Adversários esses que incluem nomes como Van Aert ou Pidcock. Não é de espantar, portanto, que várias toalhas estejam já no chão mesmo antes de chegarmos a Tábor, curiosamente local onde Van der Poel subiu sempre ao lugar mais alto do pódio e onde conquistou pela primeira vez um título mundial no escalão Elite, em 2015, iniciando um período de nove anos consecutivos em que o vencedor desta corrida foi um dos intitulados “Big 3”. Já em 2023, Van der Poel irá à procura da sexta camisola do arco-íris, ficando a uma de igualar o impressionante record de Eric De Vlaeminck.

Será que domingo é “sem espinhas” para Mathieu van der Poel? (Fonte: Getty Images)

A luta pelas restantes medalhas, ao contrário da de ouro, será bastante aberta. Do alinhamento da Bélgica sobressaem três nomes que podem claramente imiscuir-se na luta pelos restantes lugares do pódio: Eli Iserbyt, Thibau Nys e Michael Vanthourenhout. Reclamando para si o papel de crónico candidato às medalhas em qualquer prova que participe, Iserbyt parte para estes Campeonatos do Mundo após mais uma temporada ao nível daquilo a que nos tem habituado: pautada pela regularidade e consistência nos lugares de topo da classificação. Com 29 provas completadas na presente temporada, e dois terços delas no pódio (incluindo oito vitórias), a geral da Taça do Mundo e do Troféu Superprestige são argumentos de peso no currículo do belga. Já Thibau Nys, o filho do “Canibal de Baal” Sven Nys, fará a sua estreia no escalão Elite no que a Campeonatos do Mundo diz respeito. Após o título mundial Sub-23 do ano passado, Nys fez a transição a tempo inteiro para o topo da pirâmide etária com apenas 21 anos, e começou esse périplo da melhor forma, conquistando as únicas vitórias da temporada nas primeiras três semanas de competição (incluindo a primeira prova da Taça do Mundo, em Waterloo, e o mítico Koppenbergcross). Após um período de menor fulgor, onde lidou também com alguns problemas físicos, Nys parece ter encontrado novamente as melhores sensações nas últimas semanas, sendo inclusive o único a seguir Van der Poel na corrida da Taça do Mundo de Hoogerheide. Vanthourenhout, por seu lado, terá sempre a seu favor a revalidação do título europeu no dilúvio de Pontchâteau, apesar de uma época mais apagada. O belga consegue sempre superiorizar-se nos maiores palcos, e não deve ser descurado na luta pelas medalhas em Tábor.  

No lado neerlandês, e para além de Van der Poel, há também um trio que merece destaque. Se algum louvor houvesse que premiasse o ciclista com a melhor evolução do ano, esse teria de ser repartido entre Joris Nieuwenhuis e Pim Ronhaar. Em fases distintas da carreira, os dois crossers da Baloise Trek Lions assinaram uma temporada marcada por um salto de qualidade significativo, que os colocou, frequentemente, na cúpula do pelotão internacional. Após trocar definitivamente o ciclismo de estrada pelo ciclocrosse na temporada passada, Nieuwenhuis parece ter atingido o potencial que augurava ter desde as camadas mais jovens (foi campeão mundial Sub-23, em 2018), e carimbou, em 2023/2024 uma folha de resultados digna de nota: cinco vitórias (de onde se destacam as vitórias na prova da Taça do Mundo de Val di Sole, duas corridas do Superprestige e o Campeonato Nacional dos Países Baixos) e 12 pódios que lhe garantiram o 2º lugar à geral da Taça do Mundo, a luta pela vitória à geral do Superprestige, estando também na 2ª posição à entrada para a última ronda, e uma subida de nove posições no ranking da UCI, ocupando agora o 3º posto. Quanto a Ronhaar, surpreendeu tudo e todos com a forma autoritária como se afirmou no panorama Elite com apenas 22 anos. Em 2024, o jovem neerlandês contabiliza mais de metade das corridas em que participou no pódio (incluindo três vitórias), obteve a suas primeiras conquistas na Taça do Mundo no escalão Elite (em Dendermonde e Dublin), que o colocaram atrás do seu compatriota Nieuwenhuis na geral final da competição, e saltou do 19º ao quinto lugar no ranking da UCI. Com uma dupla assim tão afinada a ladear Van der Poel, não seria de espantar que o cenário do passado domingo da Taça do Mundo de Hoogerheide se repetisse em Tábor. À espera de uma oportunidade está também Lars van der Haar, que conta certamente com a experiência e regularidade como argumentos que poderá usar este fim de semana. Apesar de registar apenas duas vitórias esta temporada, Van der Haar nunca terminou nenhuma das 24 corridas que completou fora do top-10, ao mesmo tempo que subiu ao pódio por 13 vezes.

Outros nomes que poderão rondas os lugares cimeiros são os de Cameron Mason (Reino Unido); Laurens Sweeck (Bélgica), o vencedor da Taça do Mundo 2022/2023; Niels Vandeputte (Bélgica); Felipe Orts (Espanha) ou Kevin Kuhn (Suíça).

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