Ciclocrosse, Internacional

Antevisão do Campeonato do Mundo de Ciclocrosse: Tábor 2024

Antevisão do Campeonato do Mundo de Ciclocrosse: Tábor 2024

As favoritas: Júniores, Sub-23 e Elites Femininas

Júniores Femininas

As três que prometem dominar a corrida de Júniores Femininas (Fonte: Getty Images)

Na categoria das mais jovens, espera-se uma corrida aberta na discussão do título mundial, destacando-se na contenda três ciclocrossistas com ambições legítimas de o alcançar: Célia Gery (França), Cat Ferguson (Reino Unido) e, da casa, Viktória Chladonová (Eslováquia). Foram elas, por a mesma ordem, a ocupar os lugares cimeiros do Campeonato da Europa e da classificação geral da Taça do Mundo da respetiva categoria, e dividem entre as três vitórias nas seis provas que compõe esta última competição (Gery venceu três corridas, Fergunson duas e Chladonová levantou os braços na semana passada, em Hoogerheide).

Gery conta já com uma medalha de bronze em Campeonatos do Mundo de ciclocrosse, conquistada precisamente na edição passada, em Hoogerheide. Este ano, da folha de resultados da francesa constam ainda triunfos no campeonato nacional francês Júnior e na geral da Taça de França da mesma categoria; a britânica Fergunson dividiu a sua temporada entre o escalão Júnior e Elite, participando em três provas da Taça do Mundo (Maasmechelen, Gavere e Hulst) e duas do Troféu Superprestige (Ruddervoorde e Diegem) no escalão maior, sagrando-se também campeã nacional Júnior; já Chladonová, das 17 corridas em que participou esta temporada, apenas seis foram no escalão Júnior, precisamente as provas da Taça do Mundo e o Campeonato Europeu. Na categoria Elite, participou exclusivamente em corridas da categoria C2 nacionais e checas, conquistando o 3º lugar à geral da mítica Toi Toi Cup.

Numa segunda linha, e à espreita da oportunidade de “agarrar” uma medalha, destacam-se os nomes de Imogen Wolff (Reino Unido), campeã britânica em 2023; Puck Langenbarg (Países Baixos), a atual campeão nacional do país das tulipas; ou Amandine Muller (França), que perde apenas para Gery o estatuto de melhor ciclocrossista júnior francesa.

Sub-23 Femininas

Será que iremos ver uma reedição do pódio dos Campeonatos da Europa 2024 no escalão Sub-23 Feminino? (Fonte: Getty Images)

Fruto das circunstâncias organizacionais das corridas de ciclocrosse, no escalão Sub-23 podemos encontrar nomes candidatos ao ouro que já brilham ao nível Elite. Aliás, é no topo da pirâmide que as principais candidatas competem a temporada inteira, baixando, opcionalmente, à categoria Sub-23 para as principais competições, como os Campeonatos da Europa e do Mundo. E é no pódio deste escalão nos Campeonatos Europeus de Pontchâteau que podemos encontrar as principais aspirantes à camisola do arco-íris. Do Reino Unido, Zoe Backstedt, a menina de ouro do ciclismo feminino britânico, viaja até Tábor com vontade de subir um patamar em relação à prata mundial conquistada o ano passado (apenas superada por uma super Shirin van Anrooij) e ao título europeu deste ano na categoria; ela que conta já este ano com algumas vitórias a nível Elite, nomeadamente em corridas da categoria C2. A oposição surge de Marie Schreiber (Luxemburgo), a recém coroada campeã nacional do seu país, e prata em Pontchâteau, que teve este ano exibições destacadas no pelotão Elite, incluindo três vitórias em corridas C2 e imiscuindo-se entre os primeiros lugares em provas da Taça do Mundo. No entanto, as atenções estarão também postas em Kristyna Zemanová (Chéquia), a melhor ciclocrossista do seu país, que ainda há duas semanas revalidou o seu título nacional Elite pela segunda vez, precisamente no circuito que a vai receber no domingo. Esta época, e no pelotão Elite, Zemanová conta com oito vitórias em corridas, a vitória à geral da Toi Toi Cup, o extraordinário segundo lugar no Exact Cross Loenhout, e algumas posições cimeiras em etapas da Taça do Mundo.

Nomes que não podem ser descurados do pódio, se as circunstâncias de corrida assim proporcionarem são os das gémeas canadianas Isabella e Ava Holmgren (medalhas de ouro e prata dos Campeonatos do Mundo Júnior em 2023 e Pan-Americano Elite já esta temporada, respetivamente), Leonie Bentveld (Países Baixos), com uma mão cheia de resultados relevantes em provas da Taça do Mundo, ou Lauren Molengraaf (Países Baixos), a grande dominadora do circuito Júnior o ano passado.

Elites Femininas

No escalão cimeiro, o das Elites Femininas, impõe-se uma questão: alguém será capaz de impedir Fem van Empel (Países Baixos) de revalidar o título mundial? A canibal do circuito feminino teve uma época a roçar a perfeição, contribuindo para isso as 17 vitórias em 19 corridas realizadas, um 2º lugar na Taça do Mundo de Gavere e o 4º posto na ronda de Hulst (uma queda impediu-a de lutar pela vitória). A ambivalência da atual campeã do mundo de ciclocrosse tanto por esta vertente, como pela estrada, faz com que seja criteriosa no seu calendário de inverno no que aos crosses diz respeito. Isso explica o porquê de ter terminado apenas na 4ª posição à geral na Taça do Mundo e ser atualmente a 8ª classificada do Troféu Superprestige. No entanto, é a líder isolada (e mais que provável vencedora) da geral do Troféu X2O à falta de uma prova para o seu final. Tudo somado, Van Empel é colocada no topo dos livros das apostas à vitória no evento principal de sábado, com larga distância para as suas principais adversárias.

Será que Fem van Empel irá continuar a vestir esta camisola por mais um ano? (Fonte: Getty Images)

Neste grupo encontram-se nomes como o de Ceylin Alvarado, Puck Pieterse e Lucinda Brand, compatriotas da atual campeã do mundo. Alvarado, campeã do mundo em 2020, parece ter voltado ao topo da sua forma, depois de um par de anos mais atribulados a contas com lesões. Na presente temporada, a ciclista da Alpecin – Deceuninck já conquistou a medalha de prata nos Campeonatos Europeus, e finalizou mais de 80% das suas corridas no pódio, somando seis vitórias (três delas na Taça do Mundo) que contribuíram para a conquista da geral da Taça do Mundo e para a sua liderança no Troféu Superprestige, quando falta apenas completar a derradeira jornada. Por seu lado, Pieterse chega a Tábor numa posição contrastante com a que chegava a Hoogerheide há um ano, onde partia, com Van Empel, como a principal favorita ao ouro. A época da neerlandesa foi menos fulgurante quando comparada com o passado recente, quer em dias de corrida, quer em termos de resultados. Participou apenas em 14 provas durante a temporada, privilegiando a Taça do Mundo, competição que fechou na 2ª posição da geral. Ainda assim, ergueu os braços em quatro ocasiões, e apenas por uma vez não terminou no pódio, curiosamente na prova da Taça do Mundo de Hoogerheide, devido a uma queda. A provar que a idade é um posto, e que velhos são os trapos, surge a veterana Brand. A campeã do mundo de 2021 tem sido, talvez, a adversária mais próxima de Van Empel em várias corridas ao longo da temporada, uma vez que é a primeira a cruzar a meta… a seguir à campeã do mundo. Não é por acaso que recentemente triunfou no campeonato nacional dos Países Baixos (batendo Pieterse), terminou a Taça do Mundo no pódio (3º lugar), e é a atual 2ª classificada do Troféu X2O.

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